Antes que alguém pense em levantar polêmica com esse assunto, o qual imagino que já tenha gerado discussões demoradas e inúteis desde o surgimento do cristianismo, devo lembrar que acreditar na virgindade de Maria não leva ninguém ao céu, nem lança ninguém ao inferno, pelo contrário, discutir por causa disso pode levar as pessoas a se desrespeitarem e ao tentar justificar suas teorias podem acabar blasfemando contra o Espírito santo - Isso sim leva ao inferno.
Como há inúmeros estudos, documentos da Igreja e discursos dos doutores da Igreja Católica a esse respeito, muitos disponíveis na internet, gostaria de utilizar um caminho diferente para mostrar porque acredito na virgindade de Maria, com base na "lógica" da fé e no respeito pelo sagrado.
Primeiro vamos definir o que é virgindade. A virgindade física é definida como a presença do Hímen na entrada da vagina da mulher. O rompimento de tal película caracteriza a perda da virgindade. Tal rompimento pode-se dar de diversas formas, desde a relação sexual até mesmo uma "carícia" mais ousada em tal região. Uma mulher pode ainda ter seu hímen intacto, mas ter tido experiências sexuais de outras formas. Portanto, se considerarmos como virgindade a ausência de experiência sexual, estariamos sendo mais fiéis ao significado da palavra: Sobretudo pureza física e moral. Tanto que se considera virgem o homem que não teve experiência sexual, mesmo que ele não tenha hímen. É dessa virgindade que pretendo falar.
Acredito que Maria não teve experiências sexuais e exponho alguns motivos baseados em José, marido de Maria. Para os mais curiosos, há relatos no livro apócrifo de Maria Madalena que narra de forma milagrosa e empolgante o nascimento de Cristo, dando ênfase ao fato de Maria ter permanecido virgem depois do parto, o que é confirmado por uma das parteiras chamadas por José. Porém é um livro apócrifo sem autenticidade reconhecida. Vamos aos fatos. Não porei todas as indicações da Bíblia para incentivá-lo a encontrar tais passagens, mas as que citarei são fatos bem conhecidos. Vamos lá:
Lembra de Moisés e a sarça ardente no livro do êxodo? Deus aparece a Moisés para pedir que vá libertar seu povo, em uma sarça que se queima sem se consumir. Deus diz a Moisés: Retira as sandálias dos pés pois o lugar em que estás pisando é sagrado (Ex 3, 4). O lugar onde Deus aparece e está presente é sagrado e merece respeito. Em várias passagens do Gênesis, foram erguidos altares onde Deus se manifestou, como os que Jacó ergueu nos lugares onde teve experiência divina. A arca da aliança representava a presença de Deus em meio ao povo. Quem tocasse nela MORRIA de forma fulminante. A bíblia mostra casos em que hebreus e também pagãos morreram instantaneamente consumidos por um raio por tocar na arca, pois Deus estava manifestado nela.
Pois bem, Maria ficou cheia do espírito santo e começou a gerar o filho de Deus. Ela era agora como aquela arca.O Espírito santo estava em seu ventre, gerando Jesus, filho do Deus altíssimo, Deus em forma humana. Maria era um verdadeiro sacrário, era um lugar santo onde o próprio Deus habitava. Por esse fato, pode-se dizer que ela tenha sido a pessoa mais santa que já surgiu na humanidade, pois deus a habitou, a encheu, e gerou-se nela por nove meses.
José é o único homem do novo testamento que é chamado de justo (MT 1, 19), Por isso foi escolhido para ser o pai de Jesus na Terra, ou você acha que Deus usaria pessoas comuns para dar início a um projeto tão importante e grande? Ele pegou o melhor casal que tinha na Terra para isso, Maria e José, que foram preparados antes de seus nascimentos para tal missão. Hora, se antes que o profeta nascesse Deus já o havia escolhido e consagrado (Jeremias) imagine alguém com uma missão maior que a dos profetas. Portanto José e Maria eram pessoas especiais com uma missão importantíssima.
Sendo José justo e praticante do judaísmo, portanto temente a Deus, ele sabia que Maria era sagrada. O espírito santo de Deus estava operando nela, ela estava cheia do Espírito de Deus, portanto ela tinha virado aquela Arca da aliança, aquele lugar santo onde Deus habita. É lógico que ele não "tocaria" nela, por respeito a Deus e as coisas consagradas a ele (As coisas consagradas a Deus só podiam ser tocadas por sacerdotes).
Há quem diga que, depois do nascimento de Jesus, josé poderia ter vivido matrimonialmente com Maria, gerando outros filhos inclusive. Tal fato não procede. Na época de Jesus, a palavra irmão significava desde irmão, primo, até amigo. Já no Gênesis, Ló e Abraão se tratavam por irmãos, mas eram tio e sobrinho. Jesus chamava os discípulos de filhinhos e nem por isso era o pai deles. "Mestre, tua mãe e teus irmãos te procuram(MC 3, 32)", os irmãos eram apenas os "chegados" de Jesus, que podiam ser inclusive primos ou simples conterrâneos... Em outra passagem, ao se referirem aos irmãos de Jesus, citam os nomes de apóstolos
"No Novo Testamento, fica claríssimo que os ‘irmãos de Jesus’ não eram filhos de Nossa Senhora. Os supostos ‘irmãos de Jesus’ são indicados por S. Marcos: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão e não estão aqui conosco suas irmãs?” Tiago e Judas, conforme afirma S. Lucas, eram filhos de Alfeu e Cleófas: ‘Chamou Tiago, filho de Alfeu… e Judas, irmão de Tiago” (Lc 6, 15-16). E ainda: “Chamou Judas, irmão de Tiago” ( Lc 6, 16). Quanto a ‘José’, S. Mateus diz que é irmão de Tiago: “Entre os quais estava… Maria, mãe de Tiago e de José (Mt 27, 56). Em S. Mateus se lê: “Estavam ali (no calvário), a observar de longe…., Maria Mágdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu”. Essa Maria, mãe de Tiago e José, não é a esposa de S. José, mas de Cleofas, conforme S. João (19, 25). Era também a irmã de Nossa Senhora, como se lê em S. João (19, 25): “Estavam junto à Cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria (esposa) de Cleofas, e Maria de Mágadala”. Simão, irmão dos três outros, ‘Tiago, José e Judas’ são verdadeiramente irmãos entre si, filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Alfeu ou Cleophas é o pai deles (texto extraído de http://blog.cancaonova.com/homilia/2008/07/16/quem-sao-a-mae-e-irmaos-de-jesu-mt-1246-50/.
Mas vamos pensar na figura de José e do sagrado:
1 - O sexo para os Judeus era um ato impuro. Portanto josé não "profanaria" o ventre que gerou o filho de Deus colocando nele o seu membro, mesmo sendo esposo de maria, uma vez que casamento não se resume ao sexo. Acredito que isso seja suficiente para crer que Maria e José não tiveram relações sexuais. Se qualquer um de nós considerasse seu órgão genital santo e consagrado a Deus, duvido que o usasse para o próprio prazer, tão grande seria o respeito pelo sagrado!
2 - Maria, que tornou-se escrava (serva) do Senhor, sentia que não se pertencia mais, ela era de Deus, consagrada a Deus. Pela sua fé, dificilmente profanaria o lugar que gerou Jesus em um ato sexual.
3- José acreditava nos seus sonhos, afinal Deus se comunicava com ele através de sonhos. Deus disse para ele receber Maria e não ter medo, pois o que acontecia com ela era obra do Espírito santo. Apenas um homem de fé acreditaria nos sonhos, uma pessoa normal iria achar impossível uma mulher engravidar sem relação sexual. José tinha fé, não duvidava do que sonhava, sentia-se guardião e protetor de Maria e do Menino, era sua missão! Ele era descendente de Davi. As profecias diziam que Jesus herdaria o trono de seu pai Davi. Isso mostra que os conterrêneos de Jesus reconheceriam José como o Pai do menino e prova que josé estava predestinado a sê-lo. Deus havia preparado José para essa missão. Portanto ele não era um homem qualquer!
4- O casal tinha uma missão: Cuidar e educar o filho de Deus. Ter mais filhos significaria deixar de lado o projeto de Deus, que exige dedicação total ou conciliar o projeto de Deus com os projetos humanos: Algo incompatível para quem se doa a missão de Deus!
5- Quando Jesus tinha doze anos e se perdeu no templo, a bíblia diz que José e Maria voltaram para procurá-lo. Não cita nenhum irmão. Portanto, se não nasceram irmãos, provavelmente não houve relação carnal.
6- Jesus chamava seus discípulos de irmãos, mas eles não o eram. Pode ser que por ter sido criado como filho único, sentisse a necessidade de fazer dos companheiros seus próprios irmãos.
7- Não são citados irmãos na morte na cruz de cristo. Ele confia sua Mãe Maria ao discípulo João. Ora, os filhos cuidavam das mães viúvas (como devia ser a condição de Maria naquele momento) se Jesus confiou sua mãe ao discípulo que mais amava, é porque não tinha mesmo irmãos.
8- Após a morte de Jesus, as pessoas mais próximas estavam junto a cruz: As três Marias e João, nada de irmãos.
9- Na ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos e Maria. Se tivesse irmãos, tinha aparecido a eles.
Enfim, há vários elementos nos evangelhos que nos leva a crer que Jesus não teve irmãos. Esse fato pode comprovar a teoria de que José e Maria, tementes a Deus e dedicados a sua missão, não ousaram profanar o ventre que gerou Jesus com uma relação sexual: Ato impuro para os Judeus! Doutores da Igreja, como Santo Agostinho, afirmava que Maria permaneceu virgem após o parto (como diz o evangelho apócrifo de Maria Madalena). Muita gente acha impossível e se esquecem que para Deus não há impossível algum. Outras pessoas não acreditam que Maria e José tenham resistido a tentação do sexo e esquecem que eles eram pessoas santas. Outras ainda criticam o fato de Deus não permitir que eles tivessem uma vida de casal e esquecem que eles a tiveram no que diz respeito ao companheirismo e vivência de família na criação de Jesus. Essa era a missão deles, e não ser apenas mais um casal no mundo. Afinal, aqueles que verdadeiramente trabalham para Deus deixam casa, pai, mãe, cidade, riqueza, deixam sua própria vida para seguir os desígnios de Deus: Maria e José deixaram seus projetos iniciais para viver um projeto maior. Por isso acredito que Maria permaneceu virgem depois de Jesus, principalmente pelo fato de Maria e José temerem a Deus e reconhecerem o ventre de Maria como lugar sagrado... Ou você poria um Pênis ereto em um lugar onde Deus foi gerado por nove meses por obra e graça de Espírito Santo?
A noção de sagrado presente no inconsciente daqueles que têm fé é até maior que a vontade de viver (muitos morrem pelas causas que acreditam), quanto mais um simples prazer que a vida oferece. A vontade pode ser controlada diante de uma força maior: A fé!



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